O Desmanche traz 9 músicas, sete delas inéditas, composições conjuntas de Craca e Dani Nega, encarregada pelas letras da dupla. O discurso continua atual e afiado, todavia mais poético, como também a construção e a fusão de linguagens sonoras, vindas da música brasileira, africana, latina, do eletrônico e de ritmos radicados por aqui como o hip hop, funk e o rap.

Diferente do Dispositivo Tralha, o segundo disco não possui faixas instrumentais, todas são canções e nesse sentido há outra mudança, a voz de Dani agora não se restringe ao “spoken word”, mas mostra-se mais melódica, em diálogo com as participações. O novo álbum chega dois anos após o lançamento do trabalho que iniciou a parceria da dupla e que lhes rendeu a premiação no 28º Prêmio da Música Brasileira.

A arte que ilustra a capa foi criada pela artista visual Vânia Medeiros e nela já consta o viés político que, somado ao título, nos contextualizam precisamente aos dias de hoje. “O Desmanche é uma referência direta ao momento político em que nos encontramos”, afirma Craca. Responsável também por toda produção musical e arranjos do álbum, o músico complementa, “Nele há faixas bem dançantes e que abrem espaço também para outras escutas. É um disco pra sentar e ouvir ou para ouvir de fone pela cidade”.

Em O Desmanche há músicas que falam de resistência e da violência vivida pelo negro no Brasil, versam sobre sentimentos que pertencem especialmente ao povo negro. “Quando Voltarão?” é uma delas, a música cita militantes vítimas da violência no país. As faixas dançantes não deixam de ser ainda reflexivas, abordam temas sociais do mesmo modo que falam de afeto. “Na Faca, na Fúria, no Grito ou no Dente” narra por uma perspectiva feminista o amor entre mulheres, com um ritmo até então pouco explorado pela dupla: o funk carioca.

As participações especiais foram todas intencionalmente femininas. “As cantoras convidadas tem um trabalho consistente na cena musical, politicamente e esteticamente. O interessante é que cada uma delas trouxe um universo sonoro diferente, cantando no disco a sonoridade que as representam”, conta Dani.

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