Intitulado como “Nêgo Roque” (Natura Musical), o segundo disco d’OQuadro foi produzido pela própria banda em parceria com Rafa Dias e gravado no Estúdio T, em Salvador. Com mixagem assinada por André T. e a masterização por conta de Felipe Tichauer (US), o trabalho apresenta elementos obtidos por meio de vivências pessoais do grupo que é formado por Jef Rodriguez (voz), Nêgo Freeza (voz), Rans Spectro (voz), Ricô (voz/baixo), Rodrigo DaLua (Guitarra e Synth), Vic Santana (bateria), DJ Mangaio (programações) e Jahgga (percussão). “Estávamos desde 2012 sem lançar um disco, então tivemos um tempo de amadurecimento como pessoas e como músicos por conta de nossas andanças. A música não desiste da gente, então não vamos desistir dela”, afirma o baixista Ricô.

Para criar uma sonoridade híbrida, os rapazes buscaram como referências os clássicos e as novidades dentro do rap, rock, zouk, soul e eletrônica, além de músicas típicas da Jamaica e do Estado baiano. “Tem muita informação, mas ao mesmo tempo é minimalista. Digamos que traz uma ideia bastante atemporal. Acreditamos que vá soar moderno e antigo”, explicam. Com base nesses gêneros musicais diferenciados, a produção da obra mistura uma melodia violada, com um groove de baixo e se resulta em um som que os artistas nomeiam como música negra contemporânea.

O álbum independente foi gerado por meio de um processo colaborativo. Entre os parceiros, Raoni Knalha, BNegão, Emicida, Indee Styla, Pedro Itan e DJ Gug. Como tema central, os artistas levantam questões sobre os valores sociais, bens culturais e existencialismo, apresentando o olhar do cidadão nascido no interior da Bahia ou em qualquer periferia, que enxerga a cultura hip-hop como arte contemporânea popular. Os músicos contam por meio da música aquilo que os livros ainda insistem em apagar.

“A voz do nosso povo resistiu e está mais viva do que nunca, lutando pelo protagonismo no recontar dessa história. Em nossas letras, estão em evidência o conceito de humanidade, de negritude, de fé e de militância, que são abordados não como hipóteses acadêmicas, mas maturados pela vivência de seus compositores”, argumenta Jef Rodriguez.

Esse manifesto é notório em letras como “Trabalho”, que carrega um refrão movido a samba como pano de fundo para a narração do cotidiano de um trabalhador. “Ainda É Cedo”, faixa que abre o disco, já mostra ao que veio: mostrar que relações de poder sempre têm um fim, em relação aos políticos corruptos e a atual situação do Brasil. São mensagens assim que permeiam as onze faixas de “Nego Roque”, que é a ciência egípcia e a fé etíope, é dor e sorriso, leveza e tensão. A batida do coração convertida em tambores orgânicos e digitais. É a arte contemporânea que fez das ruas sua galeria e seu ateliê. É mais que distorção, é transgressão, aquele que não se encaixa nos moldes nem prateleiras.

O projeto foi selecionado para receber o patrocínio do edital Natura Musical e do Governo do Estado, através do FazCultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, com gestão empresarial da Isé Música Criativa. “O Natura Musical foi criado para valorizar a diversidade e identidade da música brasileira”, diz Fernanda Paiva, gerente de Marketing Institucional da Natura. “Desde 2012, o edital Bahia já contemplou 26 projetos no Estado de artistas como Russo Passapusso, Larissa Luz, Giovani Cidreira, Lucas Santtana e, agora, OQuadro”, complementa.

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