Celebrando 25 anos de arte e poesia, a rapper brasiliense Vera Veronika lança DVD comemorativo que repassa esse um quarto de século. O projeto “Vera Veronika 25 anos” entrega um show gravado na Funarte do DF com 14 faixas e 11 clipes, que reúnem um total de 215 artistas envolvidos. O DVD está disponível no YouTube a partir de 25 de julho. A data escolhida não foi por acaso: ela também marca o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha e Dia de Tereza de Benguela, heroína quilombola, reafirmando a luta histórica da artista e das mulheres negras em geral.
O DVD teve direção musical assinada por Higo Melo e Nego Dé, responsáveis por “Mojubá” e “Afrolatinas”, últimos álbuns de Vera. “Era um sonho antigo ter esse produto audiovisual. Temos um total de 25 músicas, uma para cada ano, incluindo sete inéditas. Todas essas pessoas que participam, em algum momento, fizeram parte da minha carreira. Estou muito feliz com o resultado”, comenta Vera.

Mantenedora de abrigo infantil, pedagoga, empreendedora e consultora nas causas de Direitos Humanos, Vera Veronika sempre encontrou no rap a força necessária para lutar contra tudo o que parecia injusto. Desde o começo dos anos 90, a cantora é tida como voz ativa na história do rap nacional e inspira gerações de mulheres que se dedicam ao estilo musical. Ela foi testemunha das mudanças da cena.

“Eu vi muitas mulheres desistirem do seu sonho por causa de marido, de condição financeira. Hoje o machismo ainda existe, claro, mas a gente consegue ir melhor pro embate. Hoje somos muitas mulheres em toda a cultura hip hop, sejam rappers, DJs, grafiteiras, as b-girls que dançam e as ativistas que propagam a cultura. Eu acredito que a mulher é muito mais ouvida pois a mensagem fala direto com o que as mulheres querem ouvir. O rap significa revolução através da palavra e nossa voz ecoa em busca de mudanças”, conta Vera.

Essa postura e política se reflete no conteúdo do DVD. Com forte valorização da cultura negra e do hip hop como um todo, o registro conta com expoentes da nossa música, como Ellen Oléria; nomes em ascensão, como RAPadura Xique-Chico; ao lado de artistas de relevância histórica, como Nelson Triunfo. O show começa com um cortejo de baianas feito pelo grupo de dança Omo Ayô e conta com valorização do break e do graffiti. Se destaca também a faixa “Assediada”, que conta com 16 mulheres de diversos estados do país para denunciar as violências diárias que passam.

A preocupação de Vera para a inclusão social vai até os detalhes de seu trabalho. Todos os vídeos do DVD têm tradução simultânea em libras, visando à universalidade da música e das suas mensagens.

“Temos que priorizar essa acessibilidade. Minhas músicas têm um cunho social e educativo e assim podemos chegar a mais pessoas, respeitando as mulheres surdas que vão poder entender e se identificar com a letra”, explica Vera.

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