É possível falar de opressão e amor numa mesma obra, com coesão? Jairo Pereira mostra em Mutum, primeiro disco de seu projeto solo, que sim. A obra, gravada no estúdio Medusa, faz ponte entre os embates sociais e a importância do afeto com sensibilidade e destreza através de 7 faixas que misturam hip hop, rock, reggae, jazz e poesia.

“É um disco curto, feito com poucos recursos, mas também porque vai direto ao ponto em tudo que a gente quer abordar. É um abre alas do Mutum”, afirma Jairo. Totalmente independente financeiramente, o disco é recheado de participações. Como não poderia deixar de ser, a linha de seleção dessas pessoas também foi pelas relações afetuosas do compositor.

Assim foi feita a composição da banda Mutum, em que a maioria dos músicos (a exceção é o guitarrista), também fazem parte do Aláfia, grupo do qual Jairo é um dos três vocalistas há sete anos: o maestro e pianista Fábio Leandro, o gaitista Lucas Cirilo – que trouxeram as influências jazzísticas ao trabalho -, o baixista Gabriel Catanzaro, o percussionista Pedro Bandeira, o baterista Filipe Gomes e o guitarrista Dudu Tavares.

“Mutum” rouba o fôlego ao nos deixar em profundo contato com adversidades que muitas vezes insistimos em passar batido. Mas é através da luz, tanto ao iluminar tais tensões quanto ao indicar o caminho da cura, que amarra uma obra contemporânea. Propõe um mergulho num recente ditado urbano, pichado em muitos muros pela selva de concreto: o afeto é revolucionário.

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